AMD BC-250 Explicada: o Chip do PS5 que Virou um PC Gamer Barato

Placa de mineração AMD BC-250 com chip do PlayStation 5

Imagine algo do tamanho de uma placa de vídeo com um chip de PlayStation 5, 16 GB de GDDR6 e um slot M.2 para SSD. Basta alimentar com 12 volts, conectar monitor e teclado, e você tem nas mãos um computador que roda Cyberpunk 2077. Essa é a AMD BC-250.

Os chips dessas placas são de PS5 e foram reprovados na seleção (binning) para o console: por isso só 6 dos 8 núcleos da CPU estão ativos e a GPU tem bem menos unidades de computação que a do PS5. Em 2022 a ASRock começou a montar essas placas em rigs de mineração de criptomoedas, uma dúzia por chassi, e cada uma era um computador completo, com CPU própria. As rigs duraram pouco. Em setembro daquele ano o Ethereum migrou para proof of stake, minerar com GPU deixou de fazer sentido e as placas foram parar nos sites de usados como sucata que ninguém queria.

Quem salvou as placas foram os entusiastas. Em 2025 o suporte à GPU entrou no Mesa, o conjunto de drivers gráficos do Linux, os jogos começaram a rodar e, pouco depois, a comunidade descobriu como reativar os núcleos e as unidades desativadas. Hoje uma placa sai por uns US$ 150–200, e o PC completo montado com ela custa no máximo metade de uma Steam Machine.

O porém é que ela vem como um kit. Não tem gabinete nem refrigeração decente, não existe driver de vídeo para Windows, a BIOS precisa ser regravada, e desbloqueio, undervolt e ajuste fino levam tempo. Só que é justamente por isso que o pessoal gosta tanto dela: se você curte mexer em hardware, a BC-250 é um dos achados mais interessantes dos últimos anos.

O que é a AMD BC-250

À primeira vista dá para confundir a BC-250 com uma placa de vídeo: PCB comprida, um dissipador passivo enorme, uma chapa com conectores. Na verdade é um computador inteiro. CPU, gráficos, memória, slot para SSD, controlador de rede e USB estão todos na mesma placa. Só faltam a fonte e a refrigeração, mas isso fica para mais adiante.

O coração dela é o Oberon, o mesmo chip do PS5. Não é a primeira vez que a AMD dá um destino aos chips reprovados: os que tinham a parte gráfica totalmente morta viraram os kits de desktop AMD 4700S, e os que tinham pelo menos parte dos gráficos funcionando vieram parar aqui. No Linux a GPU aparece como Cyan Skillfish, e é esse codinome que você vai ver o tempo todo em drivers, logs e tópicos de fórum.

Especificações

Característica Valor
CPU Zen 2, 6 núcleos / 12 threads (8 núcleos após o desbloqueio), ~3,5 GHz
Cache L3 8 MB (2 × 4 MB)
Gráficos Cyan Skillfish (gfx1013), 24 CUs (até 40 após o desbloqueio)
Clock da GPU 1500 MHz de fábrica, 2000+ MHz com governor
Memória 16 GB GDDR6, 256 bits, ~448 GB/s, compartilhada entre CPU e GPU
Armazenamento M.2 2280 (M-key): NVMe via PCIe 2.0 x2 ou SATA III
Saída de vídeo 1 × DisplayPort 1.4
USB 2 × USB 3.0, 2 × USB 2.0
Rede Gigabit Ethernet (Realtek RTL8111H), sem Wi-Fi nem Bluetooth
Chipset AMD A68H (Bolton-D2H)
Alimentação Só 12 V: PCIe de 8 pinos e dois conectores Micro-Fit
Consumo ~60–85 W em idle, 160–200 W em jogos pesados, picos de até ~235 W
Tamanho e peso cerca de 310 × 115 mm, ~400 g com dissipador

Algumas dessas linhas pedem explicação.

  • CPU. Não é exatamente o mesmo Zen 2 dos Ryzen de desktop. Assim como no PS5, a unidade de ponto flutuante foi cortada pela metade. Todas as instruções continuam suportadas, AVX2 inclusive, e nos jogos a diferença quase não aparece, mas em cálculos pesados, como codificação de vídeo ou y-cruncher, a BC-250 fica uns 15% atrás de um Zen 2 comum.
  • Armazenamento. O slot M.2 recebe só duas linhas PCIe 2.0, então até o NVMe mais rápido para em torno de 1 GB/s. É o bastante, mas não compensa pagar a mais por um SSD topo de linha.
  • Vídeo. O bloco de codificação/decodificação por hardware está no chip, e nem foi desativado de fábrica. O driver é que não sabe ligá-lo, e YouTube e filmes acabam sendo decodificados pela CPU.
  • E o descompressor do console? O PS5 tem um bloco de E/S separado com um descompressor Kraken por hardware, que trabalha junto com o SSD rápido para carregar texturas sem pesar na CPU. Na BC-250 ninguém usa isso: não há driver, os jogos de PC nem sabem que ele existe e o slot M.2 lento não daria conta de alimentá-lo. No fim, os dados seguem o caminho de sempre no PC, passando pela CPU.

RDNA 1, RDNA 2 ou “RDNA 1.5”? A AMD nunca descreveu oficialmente essa GPU, e por isso ainda não há resposta definitiva. A maioria dos reviews fala em RDNA 2, como no PS5. Só que o driver do Linux enxerga o núcleo gráfico como GC 10.1.3, o que o coloca na geração do Navi 10 (RDNA 1, versão 10.1.0) e não do RDNA 2 (10.3.x). Ao mesmo tempo, ele tem ray tracing por hardware da segunda geração, enquanto outros recursos do RDNA 2 não se saem tão bem: o VRS tem bugs e em alguns jogos precisa ser desligado com uma camada Vulkan específica, e o suporte a mesh shaders só agora começa a ser construído pela própria comunidade. Daí o apelido “RDNA 1.5”. Na prática, o que importa mais é que o ray tracing aqui roda em hardware, não em emulação. Não vai ser rápido, mas funciona.

BC-250 vs PS5

BC-250 PlayStation 5
Núcleos da CPU 6 (8 fisicamente) 8
Clock da CPU ~3,5 GHz, fixo até 3,5 GHz, variável
Unidades de computação da GPU 24 (40 fisicamente) 36
Clock da GPU 1500 MHz de fábrica, 2000+ MHz com governor até 2230 MHz
Memória 16 GB GDDR6, 256 bits 16 GB GDDR6, 256 bits
Armazenamento M.2, PCIe 2.0 x2 (~1 GB/s) SSD próprio, 5,5 GB/s
Decodificação de vídeo por hardware o bloco existe, mas não funciona sim

Resumindo: a memória é idêntica à do console, mas a CPU e principalmente a GPU são cortadas. Parte disso dá para recuperar, como mostra a seção sobre desbloqueio.

O que tem na placa

Disposição dos conectores e jumpers da AMD BC-250

A placa tem alguns conectores e jumpers que vale conhecer antes de ligá-la pela primeira vez:

  • AUTO_PWRON1. Com o jumper nos pinos 1–2 (o padrão), a placa liga assim que recebe 12 V. Nos pinos 2–3 ela espera você apertar o botão. O único botão de ligar é o da própria placa; não existe header para o botão do gabinete.
  • CLRCMOS1. Limpa as configurações da BIOS. Depois de regravar, você com certeza vai precisar dele.
  • CPU_FAN1. Um header comum de 4 pinos com PWM para fan. Ao lado fica o conector J4003, de vários pinos, que alimentava cinco fans de 80 mm no chassi do servidor.
  • I²C (3 pinos: SCL, SDA, GND). Conversa com os controladores do VRM da placa. A maioria nunca vai mexer nele, mas é útil para quem gosta de fuçar em tensões.
  • Header SPI (J4004). Para gravar a BIOS com um programador (gravador de BIOS). Um detalhe importante: a placa tem dois chips de flash, e só o de 16 MB guarda a BIOS. Se gravar o de 512 KB, que é do controlador SuperIO, a placa vira tijolo.
  • Alimentação. Além do PCIe de 8 pinos comum, há dois conectores Micro-Fit (J2000 e J2001). Na rig de mineração a placa era alimentada por eles, e o de 8 pinos não era o caminho principal. Não há circuito para controlar uma fonte ATX: uma fonte comum precisa ser ligada na mão, com jumper ou interruptor.

Por que a BC-250 chama atenção

Deixando de lado o passado de mineração, o atrativo é simples: pelo preço de uma placa de vídeo de entrada você leva um computador inteiro. CPU, gráficos e memória já estão na placa; só falta pôr fonte, SSD e refrigeração. E o que tem lá dentro não é um chip de escritório capado, e sim hardware de console para o qual os desenvolvedores de jogos vêm otimizando há anos.

Desempenho de placa de vídeo de entrada. Pelas estimativas da comunidade, uma BC-250 de fábrica fica entre a RX 6600 e a RX 6600 XT, e com todas as unidades de computação liberadas chega ao nível da RX 6700. Para 1080p isso basta: a maioria dos jogos atuais roda bem no médio ou no alto, ainda mais com FSR.

Memória rápida. É a mesma GDDR6 do PS5, com uns 448 GB/s de largura de banda. Você decide quanto vai para a RAM do sistema e quanto para a VRAM, e fora dos jogos ela também serve muito bem para rodar modelos de IA localmente.

Potencial escondido. Dois núcleos da CPU e 16 unidades de computação estão dormindo no chip, e a comunidade aprendeu a acordá-los. Ninguém consegue dizer de antemão quantos vão funcionar na sua placa. Para muita gente essa é metade da diversão, como nos velhos tempos de desbloquear núcleos no Phenom II, transformar uma Radeon HD 6950 em 6970 regravando a BIOS ou liberar uma GeForce 6800 LE até virar uma 6800 completa.

Um kit com uma comunidade por trás. Não existe gabinete oficial, então o pessoal imprime em 3D, retrabalha dissipador, regrava BIOS e refaz a alimentação do jeito que preferir. Difícil ver duas montagens iguais. Por trás de tudo isso há uma turma bem ativa: milhares de pessoas no Reddit e no Discord, além de uma documentação detalhada no GitHub. Foi dessa turma que saíram os drivers, o desbloqueio e a maioria dos gabinetes mostrados mais abaixo.

O outro lado. Nada vem de graça. A placa só funciona por completo no Linux, consome bastante até em idle e não tem modo de suspensão. As portas são poucas, os 16 GB de memória são compartilhados e não há decodificação de vídeo por hardware. Ainda por cima, é hardware usado de mineração, sem garantia nenhuma, e não dá para saber em que estado ela vai chegar.

Em poucas palavras, a BC-250 entrega o máximo de hardware pelo mínimo de dinheiro, mas só para quem topa pôr a mão na massa.

Hardware: alimentação e refrigeração

A placa sozinha é só meio computador. A outra metade, alimentação e refrigeração, fica por sua conta, e aqui não é lugar para economizar.

Alimentação

A BC-250 só precisa da linha de 12 V; as de 3,3 V e 5 V ficam sem uso. A fonte deve entregar pelo menos 20 A nessa linha. Quanto à potência, mire em 300 W ou mais para uma placa de fábrica e 400 W ou mais se você pretende desbloquear e fazer overclock, porque as duas coisas aumentam bem o consumo.

As opções:

  • Uma fonte ATX comum, de 400 W ou mais. Qualquer fonte decente serve, até aquela velha esquecida no armário. A placa não consegue controlá-la, então você mesmo vai precisar acioná-la: faça um jumper entre o fio verde PS_ON e o terra ou passe esse fio por um interruptor. Também existem plaquinhas adaptadoras prontas que ligam e desligam a fonte junto com a placa.Fonte ATX ligada com jumper no PS_ON para a BC-250
  • Flex-ATX, de 400–500 W. A escolha mais popular para montagens compactas, e muitos gabinetes impressos são projetados para ela. A FSP500-30AS é considerada a referência, mas há várias opções mais baratas.Fonte Flex-ATX para a BC-250
  • Uma fonte industrial de 12 V. Por exemplo, a compacta série LOP da Mean Well. A LOP-300-12 é o mínimo para uma placa sem desbloqueio; para uma desbloqueada, a comunidade recomenda a LOP-400-12. Atenção: essas fontes só entregam a potência nominal completa com fluxo de ar passando por elas.Fonte Mean Well LOP-300-12

A energia entra por um PCIe de 8 pinos comum, e os conectores Micro-Fit de servidor também estão lá. Pela especificação, um PCIe de 8 pinos aguenta 150 W (com cabo e conector de qualidade, na prática vai além disso), o que dá uma regra simples:

  • Só o conector de 8 pinos: placa de fábrica e desbloqueio moderado, até 40 CUs a cerca de 1500 MHz, sem overclock;
  • 8 pinos mais um Micro-Fit: 40 CUs liberadas com overclock para o dia a dia;
  • 8 pinos mais os dois Micro-Fit: overclock máximo e testes de estresse como o FurMark, em que o consumo na tomada passa de 300 W.

Conectores de alimentação da AMD BC-250: PCIe de 8 pinos e Micro-Fit

Use só fio de cobre com isolamento de silicone, de 16 AWG (cerca de 1,3 mm²) ou mais grosso. Algumas fontes baratas economizam com fio de aço, e isso se descobre fácil com um ímã. E nada de adaptadores de 6 para 8 pinos: eles derretem.

Refrigeração

O dissipador original foi feito para um chassi de servidor, em que uma parede de fans de 80 mm soprava ar direto pelas aletas. Sem esse fluxo ele não dá conta, então refazer a refrigeração é parte obrigatória da montagem.

Refrigeração original de servidor das placas AMD BC-250
A refrigeração original, no servidor

No PS5, a Sony usou metal líquido nesse chip, o que já diz muito sobre o quanto ele esquenta.

Antes de comprar qualquer coisa, tire o dissipador e faça três coisas:

  • Abra as aletas da parte central. De fábrica elas vêm quase fechadas, e o ar não passa. Abri-las derruba a temperatura em 5–10 °C. Qualquer objeto à mão serve, mas raramente fica bonito na primeira tentativa, e por isso existe uma ferramenta feita para isso, que se imprime em 3D: o “scooper”.Ferramenta scooper impressa em 3D para abrir as aletas do dissipador da BC-250
  • Troque a interface térmica. Em placas que vieram da mineração, a pasta original geralmente já secou faz tempo. A comunidade recomenda os pads de mudança de fase PTM7950. Não se assuste se nas primeiras vezes com PTM7950 a temperatura chegar a 80–90 °C: o pad precisa de alguns ciclos de aquecimento para assentar.Pad térmico PTM7950 para a BC-250
  • Não perca as arruelas de náilon. Embaixo dos quatro parafusos do dissipador há umas arruelinhas transparentes ou pretas que costumam cair na desmontagem. Sem elas o dissipador não encosta firme no chip, e a placa bate 90–100 °C até em idle.Arruela de náilon embaixo do parafuso do dissipador da BC-250
Quer abrir as aletas do dissipador direitinho logo na primeira? Aqui vai um jeito
Depois vem o fan. O caminho mais fácil são um ou dois fans de 120 mm com boa pressão estática, ligados no header de 4 pinos CPU_FAN1. Se quiser mais de um, prefira modelos com ligação em cascata, como o Arctic P12 Pro, ou já compre um divisor (splitter).

Fan de 120 mm preso com abraçadeiras em cima do dissipador da BC-250
Um fan comum preso com abraçadeiras: simples, mas resolve

Gambiarra barata: coolers usados de RTX 5090, que vão sobrando à medida que o pessoal passa as placas de vídeo para water cooling. Segundo quem já testou, eles servem bem na BC-250.

Há outros jeitos de resolver a refrigeração:

  • Um duto para o fan. Existem vários modelos para imprimir em 3D, normalmente pensados para um fan de 140 mm ou 120 mm.Duto para fan impresso em 3D para a BC-250
  • Outro cooler. Há quem imprima adaptadores para a fixação AM4 ou de outros soquetes de desktop e monte um cooler torre por cima.Adaptador para montar um cooler AM4 na BC-250
  • Water cooling. Também vai com adaptador caseiro. Faz mais sentido em placas sortudas, com as 40 unidades de computação e os 8 núcleos liberados e overclock ainda pela frente. Se você abandonar de vez o dissipador original, não esqueça de refrigerar os componentes da alimentação.BC-250 com water cooling

Um detalhe sobre a parte de trás da placa. É lá que ficam os chips de GDDR6, resfriados pelo backplate através de pads térmicos de 2 mm. Quando eles superaquecem, o monitoramento comum não mostra nada: você vai ver artefatos ou travamentos depois de meia hora a uma hora de jogo. Para resfriar melhor a memória, coloque um fan de 80–92 mm ou um dissipador na parte de trás. Há bem pouco tempo, entusiastas acharam um jeito de ler a temperatura de cada chip de memória pelos controladores de energia e de memória do SoC. Ainda é experimental e só funciona na BIOS P3.00, mas um monitoramento decente pode estar a caminho.Parte de trás da BC-250 com o backplate sobre a memória GDDR6

Gabinetes e impressão 3D

Gabinetes impressos em 3D para a AMD BC-250

Nunca existiu um gabinete oficial para a BC-250: no chassi do servidor ela não precisava de um. Uma placa pelada em cima da mesa não é muito prática, e por isso os gabinetes viraram um gênero à parte na comunidade. Só a galeria da documentação lista mais de 145, e praticamente todos são impressos em 3D.

Dá para dividi-los, grosso modo, em quatro tipos:

  • Dutos minimalistas. Encaixam direto na placa e seguram os fans em cima do dissipador. Alguns, como o Shell Case no MakerWorld, ainda acomodam uma fonte compacta da Mean Well. É o jeito mais rápido e barato de ter um sistema que funciona e fica bonito.Duto Shell Case para a BC-250
  • Gabinetes compactos para Flex-ATX. A opção mais popular para um PC gamer. O MK-ULTRA Uno, por exemplo, é impresso em só três peças, e os fans encaixam sem ferramenta em pinos impressos junto com o duto.Gabinete MK-ULTRA Uno para a BC-250
  • Gabinetes finos no estilo console. Para quem quer a BC-250 embaixo da TV.Gabinete estilo console para a BC-250
  • Gabinetes grandes para fonte ATX comum. Úteis se você tem uma fonte velha sobrando e não quer pagar por uma Flex-ATX. Mas saiba que eles levam muito tempo e muito filamento para imprimir.Gabinete da BC-250 com espaço para fonte ATX

Filamento. Como a placa esquenta bastante, PETG ou ABS é a aposta mais segura. PLA não é recomendado: perto da parte de alimentação e na traseira da placa ele pode começar a deformar.

Onde achar os modelos. A maioria está no Printables, no MakerWorld e no Thingiverse, além da galeria grande da documentação da comunidade. Não tem impressora? Dá para encomendar um gabinete de um serviço de impressão 3D ou comprar um pronto no Etsy ou no eBay, e a mosfet.party vende um gabinete de alumínio no estilo console com fonte embutida, além de outros acessórios úteis.

Personalização. Aqui cada um solta a criatividade: painéis laterais magnéticos, LEDs no painel frontal, cores e formatos próprios. A placa tem os pinos de sinal LED1 e LED2 para luzes de status. Só não ligue um LED direto neles; é preciso um transistor no meio. Há projetos com ESP32 que ligam a placa por um botão do controle, como num console de verdade. E os mais inventivos fazem gabinetes de LEGO ou montam versões portáteis com tela de 16 polegadas.Gabinetes diferentes para a BC-250: um feito de LEGO e outro com tela embutida

Software: BIOS e Linux

Jogos, e qualquer outra coisa que use a GPU, só rodam na BC-250 no Linux. Instalar o Windows até é possível, e a CPU vai funcionar, mas não existe driver de GPU para Windows. Sobra o Linux, com o driver aberto RADV do Mesa.

Qual distro Linux escolher

Linux rodando na AMD BC-250

O suporte à placa chegou no Mesa 25.1, e em versões mais antigas ela não funciona. Daí sai a regra principal: fuja das distros de suporte longo com pacotes velhos e vá de kernel e Mesa recentes. Com o kernel há uma ressalva: as versões 6.15.0–6.15.6 e 6.17.8–6.17.10 não funcionam na BC-250. Escolhas seguras são o 6.18 LTS ou um 7.2.x recente, e para ter áudio pelo DisplayPort é preciso o 6.19.10 ou mais novo.

As principais opções (mas não as únicas):

  • CachyOS. A escolha padrão da comunidade: kernel e Mesa recentes de cara, a melhor estabilidade com desbloqueio e o maior desempenho.
  • Bazzite. Interface no estilo Steam Deck e pouquíssima configuração manual. O branch estável ficou um tempo preso no kernel 6.17.7, velho demais para a BC-250, mas em setembro de 2026 o Bazzite 44 passou para o kernel 7.2 e o Mesa 26, e isso deixou de ser problema.
  • Fedora. A distro mais testada e uma boa primeira escolha para quem quer um desktop comum.
  • PikaOS. Uma distro gamer baseada em Debian.

Com o Linux instalado, a placa ainda precisa de algumas coisas: parâmetros de kernel que deixam a GPU usar quase toda a memória compartilhada, um governor de frequência da GPU (sem ele o clock fica travado em 1500 MHz e a placa gasta até 100 W em idle), uma correção de ACPI para a economia de energia da CPU e um driver para controlar os fans. Não precisa fazer nada disso na mão: os scripts de configuração automática para CachyOS e Bazzite cuidam de tudo, e se algo der errado, a documentação da comunidade tem instruções atualizadas para cada distro.

Gravando a BIOS

Tela de configuração da BIOS da AMD BC-250

O firmware original (P2.00, P3.00 ou P5.00) usa uma divisão fixa de memória entre CPU e GPU e esconde a maior parte das configurações. O firmware modificado libera o menu do chipset e permite alocar a VRAM de forma dinâmica.

Firmware O que você ganha Para quem Onde baixar
Original P2.00, P3.00, P5.00 Funcionam, mas a divisão de VRAM é fixa. A P3.00 já tem controle de fans e opção de IOMMU Se você só precisa mudar o tamanho da VRAM: na P3.00 e na P5.00 isso se faz pelo Linux com o utilitário bc250_memcfg TheRetroWeb
Original P4.00 Instável: programas 3D fecham sozinhos nela Regrave, sem exceção —
P3.00 CHIPSETMENU (mod do Segfault) VRAM dinâmica, menu do chipset liberado Recomendada para a maioria bc250-bios
P3.00 + MeiMeiDXE Tudo o que a CHIPSETMENU tem, mais 8 núcleos e a correção de ACPI embutidos no firmware Só depois que os núcleos passarem no teste do script BC-250 UEFI v2.2 Firmware Menu Script
P5.00_clv Tudo liberado, incluindo ReBAR e opções de depuração Usuários experientes: uma configuração descuidada pode facilmente brickar a placa TheRetroWeb

Como gravar pelo pendrive:

  1. Formate um pendrive de até 32 GB em FAT32 e copie para a raiz dele o conteúdo da pasta BIOS EFI do arquivo 4U12G BIOS Update.zip (no repositório kenavru/BC-250).
  2. O arquivo Robin5.00 que está lá é a P5.00 original. Troque-o pelo seu firmware, renomeado para Robin5.00 (com R maiúsculo e sem extensão).
  3. Tire o SSD da placa e conecte o monitor direto pelo DisplayPort, porque às vezes a tela da BIOS não aparece quando se usa adaptador. Insira o pendrive e ligue a placa. Sem SSD, ela deve cair sozinha no shell EFI; se não cair, escolha o pendrive na BIOS (tecla Delete).
  4. No prompt Shell>, digite blk0: e aperte Enter, depois digite ls. Os arquivos do pendrive devem aparecer. Se não aparecerem, tente fs0:, fs1: e assim por diante no lugar de blk0: até achar.
  5. Faça o backup da BIOS atual direto no pendrive com AfuEfix64.efi backup.rom /O e depois inicie a gravação com Flash.nsh.
  6. Não mexa em nada até terminar, mesmo que a tela pareça congelada: espere pelo menos 15 minutos. Uma queda de energia nesse momento transforma a placa em tijolo, então um nobreak é uma boa ideia.
  7. Quando a placa reiniciar, desligue-a, tire o pendrive e coloque o SSD de volta.

Para a MeiMeiDXE existe um script separado com menu, do Forbidden-Darkness: nele você escolhe o logo de inicialização, e ele também faz backup e restauração da BIOS.

Gravar direto pelo Linux com o flashrom também é possível, mas fazer isso com segurança exige comparar imagens e gravar região por região, passo a passo. Já o backup com sudo flashrom -p internal -r backup.rom é sem risco: ler não estraga nada.

Se algo der errado, um programador de BIOS traz a placa de volta: pelo header J4004 ou com uma garra no chip BIOS_A1 de 16 MB (Winbond W25Q128 ou Macronix MX25L128), ao lado do slot M.2. Se o programa detectar um chip de 512 KB, é a memória do controlador SuperIO, e ela não deve ser tocada. Vai usar um CH341A barato? Confira a tensão antes: muitos deles jogam 5 V nas linhas de dados mesmo no modo 3,3 V, e o nosso guia de correção de tensão do CH341A explica como resolver isso.

Depois de qualquer gravação, limpe a CMOS: tire a bateria CR2032 por um minuto ou use o jumper CLRCMOS1. E não rode o Smokeless_UMAF na BC-250, por mais que ele seja recomendado para outras APUs da AMD: ele pode danificar a placa de vez.

Ferramenta Essencial
CH341A
O CH341A é uma ferramenta USB que salva placas-mãe. Perfeito para gravar chips SPI quando o sistema não inicia.
Como associado da Amazon, ganho com compras qualificadas.

Configurações da BIOS

Depois de gravar e limpar a CMOS, entre na BIOS (tecla Delete ao ligar) e configure o seguinte:

Chipset → GFX Configuration:
  Integrated Graphics Controller = [Forces]
  UMA Mode                       = [UMA_SPECIFIED]
  UMA Frame Buffer Size          = [512M]

Advanced → CPU Configuration:
  IOMMU = [Disabled]

Boot → Boot Mode:
  Boot Mode = [UEFI]

O que cada uma faz:

  • Integrated Graphics Controller = Forces liga os gráficos integrados de forma incondicional. Sem isso, as opções de VRAM abaixo não aparecem.
  • UMA Mode = UMA_SPECIFIED permite definir o tamanho da VRAM manualmente.
  • UMA Frame Buffer Size = 512M reserva de forma permanente só 512 MB para os gráficos, e o Linux entrega o resto conforme a necessidade. É a melhor opção para a maioria dos usos. Alguns jogos pesados rodam melhor com 4 ou 6 GB fixos; a seção de jogos fala disso.
  • IOMMU = Disabled é obrigatório: o IOMMU não funciona direito na BC-250 e causa tela preta e travamentos.
  • Boot Mode = UEFI é o modo que toda distro moderna usa na instalação.

Desbloqueio: 8 núcleos e 40 CUs

Os dois núcleos da CPU e as 16 unidades de computação do chip da BC-250 estão desativados por software, não fisicamente, então dá para ligá-los de novo. Só não esqueça de onde esses chips vieram: eles foram reprovados na seleção para o PS5, e parte do hardware desativado pode ter defeito de verdade.

CPU: de 6 para 8 núcleos

Os 8 núcleos da CPU da BC-250 ativos após o desbloqueio

Há três jeitos de fazer isso: um script rodado no Linux, um loader EFI que ativa os núcleos a cada inicialização e uma BIOS modificada com a opção nas configurações. O script é o mais seguro. Ele grava uma nova máscara de núcleos no controlador de energia do SoC sem mexer no firmware, e depois de um desligamento completo a placa volta a ter seis núcleos. Por isso o script é configurado como serviço, que reativa os núcleos a cada boot.

A regra número um: primeiro verifique os núcleos com o script e o teste que vem junto, e só depois grave uma BIOS com o desbloqueio. Se um núcleo estiver ruim, a placa com essa BIOS simplesmente não liga, e só um programador de BIOS consegue recuperá-la. Pelos poucos relatos da comunidade, mais ou menos uma placa em cada cinco tem núcleos ruins. Se só um núcleo tiver defeito, ainda é possível usar sete dos oito.

O que os 8 núcleos rendem: uns 27% a mais no 7-Zip e 5–14% a mais de FPS no Cyberpunk 2077. O preço é consumo e calor maiores.

Efeitos colaterais: depois do desbloqueio, o monitoramento passa a mostrar o clock da GPU errado (o que se resolve com uma opção do governor ou um patch), e as novas threads precisam de tabelas ACPI atualizadas, senão não entram nos estados de repouso.

GPU: de 24 para 40 CUs

Antes isso exigia aplicar patch no driver do kernel, mas agora existe o bc250-cu-live-manager. Ele liga e desliga as unidades de computação na hora, sem patch no kernel e sem reiniciar, e a configuração sobrevive às atualizações do sistema.

Em cargas de IA, 40 CUs são cerca de 1,6 vez mais rápidas nos mesmos 1500 MHz, com uns 30 W a mais e temperaturas mais altas. Em jogos o ganho chega a 28%, e no Black Myth: Wukong uma placa desbloqueada superou a RX 6700: 61 FPS contra 59.

A loteria do silício

Resultado do desbloqueio da GPU da BC-250: 34 de 40 CUs ativas
Não é a BC-250 mais sortuda: só 34 CUs liberadas

Pouca gente fala disso: 40 CUs funcionando é o melhor caso, não a regra. Muitas placas só ficam estáveis com 36–38, e há quem se saia ainda pior. No máximo metade dos donos ganha nas duas loterias, de núcleos e de CUs. A boa notícia é que até um desbloqueio parcial vale a pena: 36–38 CUs igualam ou superam o que o PS5 tem.

A verificação é feita cluster por cluster. As CUs são ativadas em pares, e cada par precisa passar por testes de estresse e jogos. Com o bc250-cu-live-manager não é preciso reiniciar entre uma rodada e outra. Os pares que falham são desligados, o que custa duas CUs de cada vez. A estabilidade também depende do clock: às vezes as 40 CUs seguram 1500 MHz, mas só 38 aguentam 1700 MHz ou mais.

Se você já desbloqueou um Phenom II, isso vai soar familiar: para um, o núcleo extra estava morto; para outro, só faltava um pouco mais de tensão.

O que isso custa

  • Calor e consumo. Desbloqueada, a placa consome bem mais, então refrigeração, fonte e cabos precisam de folga.
  • Overclock e undervolt voltam à estaca zero. CPU e GPU dividem o mesmo orçamento de energia e calor, e ajustes acertados para a configuração original podem ficar instáveis depois do desbloqueio.
  • Tempo. Testar cada cluster e achar clocks estáveis leva mais do que uma noite.

Por outro lado, o desbloqueio por software é totalmente reversível: se algo der errado, é só desativá-lo e a placa volta à configuração original.

Jogos: do que a BC-250 é capaz

Os jogos rodam pela Steam com o Proton, como no Steam Deck, e a maior parte da biblioteca funciona sem complicação. Já o desempenho depende muito de como a sua placa está configurada.

Os entusiastas conseguiram até rodar o FSR 4 na BC-250, embora o chip não tenha suporte adequado às instruções INT8 de que o FSR 4 precisa. Um contorno no driver RADV tornou isso possível. Mas tem um preço: a imagem fica melhor que com FSR 2/3 e XeSS, só que o FPS pode acabar menor.

Dica: desative o pré-cache de shaders nas configurações da Steam. A Steam baixa um cache de shaders compartilhado que não serve para a BC-250 e volta a baixá-lo toda vez que você abre um jogo, apagando o cache que a placa já montou por conta própria.

Quanto de FPS esperar

O youtuber ETA Prime testou a mesma placa de fábrica e depois com as 40 CUs liberadas. As condições foram idênticas: 1080p sem upscaling, gráficos no alto, GPU a 2 GHz.

Jogo 24 CUs (de fábrica) 40 CUs Ganho
GTA 5 58 FPS 72 FPS +24%
Hitman 3 58 FPS 69 FPS +19%
Spider-Man 2 36 FPS 46 FPS +28%

Mesmo de fábrica, a BC-250 dá conta da maioria dos jogos atuais em 1080p sem sofrimento, e o desbloqueio soma até 28% em cima disso. Só lembre que esses números foram medidos com 6 núcleos e a GPU a 2 GHz.

E aqui está a placa levada quase ao limite (8 núcleos, 40 CUs e overclock) contra a Steam Machine:


O gargalo de verdade é a CPU

O Zen 2 de console a 3,5 GHz é o elo mais fraco da placa e, na maioria dos jogos, é ele que vai limitar o FPS, mesmo com os núcleos extras liberados e com overclock.

Alguns ajustes ajudam um pouco. Segundo a comunidade, o parâmetro de kernel mitigations=off rende 10–15% a mais de FPS em jogos limitados pela CPU, ao custo de desligar a proteção contra vulnerabilidades do processador.

O async compute é uma história à parte. Quando o suporte à placa entrou no Mesa 25.1, a fila de computação separada teve que ser desativada porque dava bugs, e os jogos passaram a mandar todo o trabalho pela fila gráfica principal. Em agosto de 2026, um entusiasta conhecido como DryhoppedIPA lançou patches para o kernel e o Mesa (bc250-gfx1013-fix) que trazem o async compute de volta, e com eles o Cyberpunk 2077 ganhou cerca de 25% de FPS. Os patches já vêm em alguns dos scripts de configuração automática e numa build própria do kernel do CachyOS para a BC-250.

Memória

16 GB de memória GDDR6 compartilhada na BC-250

No modo de 512 MB, o Linux dá à GPU quanta memória o jogo pedir. Isso funciona na maioria dos jogos, mas tem algumas pegadinhas.

  • Nem todo jogo se dá bem com a alocação dinâmica. Spider-Man 2 fecha sozinho depois de 5–10 minutos, Clair Obscur: Expedition 33 também, e Doom Eternal engasga bastante. Definir um tamanho fixo de VRAM na BIOS resolve: a maioria dos jogos fica bem com 4 GB, já os AAA pesados, incluindo os três citados, precisam de 6 GB. Ainda sobram 10–12 GB para o sistema.
  • A RAM do sistema também pode faltar. O Hogwarts Legacy, por exemplo, quer uns 16,5 GB, mais do que a placa tem no total. Swap comprimido ajuda nesse caso: zram na RAM ou zswap com um arquivo de swap de 16–32 GB no SSD.
  • O 4K é o que mais devora memória. Se quiser jogar nessa resolução, ative primeiro um upscaler e só depois mude para 4K. Do contrário o jogo pode fechar e não abrir mais até você corrigir o arquivo de configuração na mão.
  • Geração de quadros também pede memória. A que vem embutida no jogo guarda os quadros extras na VRAM. O Lossless Scaling no Linux (LSFG-VK) é bem mais leve na memória, mas exige ter o Lossless Scaling comprado na Steam.

Emuladores

A emulação de consoles mais antigos vai bem por aqui: o PCSX2, de PS2, roda liso, o Dolphin encara GameCube e Wii sem problemas, e o RPCS3 dá conta dos jogos mais leves de PS3. O Switch já é outra história, com Zelda: Tears of the Kingdom rodando a uns 20 FPS. E o emulador de Xbox 360 Xenia trava o sistema de vez. Isso pode mudar mais para frente.

O que não roda e o que dá trabalho

Estatísticas de compatibilidade de jogos com anti-cheat no Linux, do GamingOnLinux
Compatibilidade de jogos com anti-cheat no Linux, segundo o GamingOnLinux

Muitos jogos online não abrem porque o anti-cheat deles não suporta Linux. Entre os mais conhecidos estão Fortnite, Apex Legends, PUBG, Rainbow Six Siege, Valorant, League of Legends, Call of Duty, Battlefield 6, GTA Online, Destiny 2 e Roblox. É uma limitação do Linux, não da placa, mas para muita gente isso já encerra a conversa.

Uma lista completa aqui é impossível: os status mudam o tempo todo, e o banco de dados Are We Anti-Cheat Yet acompanha mais de mil jogos, mais da metade deles marcados como quebrados. Dá para procurar um jogo específico no areweanticheatyet.com ou na lista do GamingOnLinux. Muitos jogos com Easy Anti-Cheat e BattlEye funcionam, desde que o desenvolvedor tenha ativado o suporte a Linux: Elden Ring, Dead by Daylight e Halo: The Master Chief Collection, por exemplo. O Counter-Strike 2 também roda.

Isso não quer dizer que todo o resto funcione perfeitamente. No Resident Evil Requiem, ativar o cabelo por fios transforma a imagem numa bagunça de artefatos, e no Doom: The Dark Ages é preciso reiniciar o jogo depois de mudar a resolução. A culpa não é da placa nem do desbloqueio: ninguém projetou a BC-250 para jogos, e os drivers dela foram escritos pela comunidade. De vez em quando você vai ter que fuçar para um jogo rodar direito.

Além dos jogos: por que os fuçadores adoram a BC-250

Jogos são o uso óbvio, mas longe de ser o único. Para muita gente, a BC-250 é antes de tudo um hardware barato para fazer experiências.

IA local. Provavelmente a melhor aplicação depois dos jogos. 16 GB de memória rápida que a GPU pode usar é coisa rara nessa faixa de preço, e cabem modelos que não entram numa placa de vídeo comum de 8 GB. Tudo roda via Vulkan, a ferramenta padrão é o llama.cpp, e existe um fork dele feito pela comunidade sob medida para a BC-250.

Veja o que liberar as 40 CUs faz com modelos atuais. O autor do guia akandr/bc250 rodou todos no llama.cpp na mesma placa, antes e depois do desbloqueio:

Velocidade de LLMs locais na BC-250: de fábrica vs 40 CUs liberadas
Modelo Geração, tokens/s Processamento do prompt, tokens/s
gpt-oss-20b 66 → 88 (+32%) 181 → 248 (+37%)
DeepSeek-R1 14B 21 → 30 (+43%) 98 → 141 (+43%)
Qwen3-Coder 30B 58 → 77 (+33%) 178 → 265 (+49%)
QwQ 32B 10 → 15 (+55%) 48 → 75 (+56%)
Granite 4.0 Tiny 104 → 129 (+24%) 511 → 765 (+50%)

Servidores caseiros e clusters. Cada placa é um computador independente, com CPU própria e rede gigabit. Tem quem monte um cluster de homelab com várias BC-250, e tem quem rode uma só como servidor de arquivos, de containers ou de um modelo de IA local. Nesse papel a placa tem seus pontos fracos: o IOMMU não funciona, então passar dispositivos para máquinas virtuais não dá, e o consumo em idle vira uma conta de luz respeitável depois de um ano ligada 24/7.

Hacking de hardware. Para muitos donos, essa é a maior atração. O pessoal ainda está desvendando a BC-250: desmontando o firmware do controlador de energia, achando configurações escondidas, escrevendo drivers. Com uma pequena modificação, o header I²C permite puxar a telemetria dos controladores do VRM e acompanhar tensões e correntes em tempo real. A placa também tem JTAG de depuração e um header LPC. O assunto mais quente no momento é fazer o decodificador de vídeo por hardware funcionar: os entusiastas já conseguem rodar código próprio no controlador de energia do SoC e parecem perto de resolver. Foi exatamente assim que os desbloqueios de núcleos e CUs foram descobertos, e é bem possível que venham outros.

Prós e contras da AMD BC-250

Prós

  • Muito hardware por pouco dinheiro Um computador completo, com gráficos no nível de uma RX 6600–6600 XT, ou de uma RX 6700 após o desbloqueio, pelo preço de uma placa de vídeo usada.
  • 16 GB de memória rápida GDDR6 a 448 GB/s, igual à do PS5, e você divide entre sistema e gráficos como quiser.
  • IA local Cabem modelos grandes demais para uma placa de vídeo de 8 GB, com velocidade de geração decente.
  • Potencial escondido Mais dois núcleos e 16 unidades de computação podem ser liberados. Numa placa sortuda, isso significa até 28% a mais de FPS nos jogos.
  • Ray tracing por hardware O Cyberpunk 2077 com iluminação RT e FSR roda a 50–60 FPS em 1080p.
  • Um console para a sala Steam, Proton, modo de jogo no estilo Steam Deck e emuladores até o PS3.
  • Personalização e comunidade Mais de cem gabinetes para imprimir, mods de refrigeração e de firmware, e scripts e correções novos saindo quase toda semana.

Contras

  • Só Linux Não existe driver de vídeo para Windows, e muitos jogos com anti-cheat, como Fortnite e Valorant, não rodam.
  • Nada de ligar e usar BIOS, gabinete, refrigeração e alimentação ficam por sua conta, e é bom estar preparado para bugs estranhos em alguns jogos.
  • CPU fraca Um Zen 2 de console a 3,5 GHz com FPU cortada, e em 1080p os jogos batem no limite dela com frequência.
  • 16 GB para tudo A memória é dividida entre sistema e gráficos, e jogos pesados ou 4K podem esgotá-la.
  • Gasta bastante energia 60–85 W em idle, até 235 W em carga, e mais com desbloqueio.
  • Sem suspensão e sem vídeo por hardware Resta desligar ou reiniciar, e YouTube e filmes rodam na CPU.
  • Slot M.2 lento O PCIe 2.0 x2 limita o SSD a cerca de 1 GB/s.
  • Hardware usado de mineração Sem garantia. Nenhuma.
  • Os preços já subiram Pouco tempo atrás as placas saíam por US$ 80–100; hoje o preço corrente é US$ 150–200.

Onde comprar uma BC-250 e no que prestar atenção

Não existe BC-250 nova à venda: toda placa no mercado veio de rigs de mineração desmontadas. Os preços mudam literalmente de uma semana para outra. Depois dos vídeos de youtubers grandes entre agosto e setembro de 2026, o preço subiu para uns US$ 200 e as placas passaram a esgotar na hora. Os principais lugares para procurar:

  • AliExpress. Placas enviadas da China, de onde veio a maior parte da oferta. Em setembro de 2026, quando este texto foi escrito, elas saíam por US$ 180–200, mas com cupons e cashback dá para pagar menos.
  • eBay. A maior variedade. Os preços são parecidos, mas alguns vendedores oferecem placas já desbloqueadas.
  • Classificados locais. No Mercado Livre, na OLX e no Facebook Marketplace às vezes aparecem mais baratas, e pode dar para conferir a placa antes de pagar.

O que verificar antes de comprar

  • Estado. Essas placas rodaram dia e noite na mineração. Olhe com atenção as fotos do conector de alimentação, procurando sinais de derretimento ou escurecimento, e veja se o dissipador tem corrosão. Se as fotos estiverem borradas ou forem só duas, peça novas.
  • O que vem junto. SSD, fonte e gabinete no pacote são práticos, mas faça a conta de quanto custariam separados. BC-250 vendidas como “Steam Machines” prontas saem por US$ 500 para cima.
  • Placas “desbloqueadas”. Como o desbloqueio é uma loteria, uma placa com as 40 CUs comprovadamente funcionando vale mais. Mas só se houver prova: peça um print mostrando o número de CUs ativas e pergunte em que clock a placa fica estável. “Já desbloqueada” sem detalhes não quer dizer nada. Qualquer um liga o desbloqueio; garantir que fica estável é outra conversa.
  • Devolução. Compre de vendedores que aceitam devolução. Com hardware usado de mineração e sem garantia, essa é sua única rede de proteção.

Perguntas frequentes

A BC-250 roda Windows?
Dá para instalar, mas na prática quase não faz sentido, já que não existe driver de vídeo para ele.

E o SteamOS, funciona na BC-250?
Sim, o próprio SteamOS pode ser instalado a partir da imagem de recuperação do Steam Deck, e scripts da comunidade adicionam o governor e o desbloqueio. Só que a Valve não dá suporte oficial à placa, e de vez em quando uma atualização quebra o sistema.

É possível ligar uma placa de vídeo à BC-250?
Não há slot PCIe para isso, e o único slot M.2 recebe só duas linhas PCIe 2.0, então nem com adaptador vale a pena.

A suspensão tem conserto?
Por enquanto, não. O controlador de energia do SoC veio do console: a Sony o adaptou para o modo de repouso do PS5, e ele não entende os comandos padrão da AMD. Os entusiastas estão investigando o firmware dele e tentando fazer funcionar pelo menos algum tipo de suspensão, mas ainda não há solução pronta: por ora o jeito é desligar ou reiniciar.

Dá para montar sem impressora 3D?
Dá. Você pode encomendar um gabinete ou duto num serviço de impressão, ou comprar um pronto no Etsy ou no eBay. Para os primeiros testes, a placa pelada em cima da mesa com um fan de 120 mm no dissipador já basta.

A BC-250 tem HDMI e Wi-Fi?
Não. A única saída de vídeo é um DisplayPort 1.4, então para ligar numa TV você vai precisar de um adaptador de DisplayPort para HDMI. Também não tem Wi-Fi nem Bluetooth; o pessoal resolve com adaptador USB.

Tem saída P2 para fone de ouvido?
Não. O áudio sai pelo DisplayPort, para os alto-falantes do monitor ou para a TV pelo adaptador HDMI. Funciona direito no kernel 6.19.10 ou mais novo. Se você precisa de fone ou caixas de som, o mais simples é uma placa de som USB baratinha.

O desbloqueio é seguro e dá para desfazer?
O desbloqueio por software de núcleos e unidades de computação é totalmente reversível: se algo der errado, é só desativá-lo. Os principais riscos são calor e consumo maiores, além da chance de cair em núcleos ou CUs que realmente têm defeito. Por isso, teste tudo depois de desbloquear e só grave uma BIOS com o desbloqueio de núcleos quando esses testes passarem.

Preciso saber Linux?
Se você nunca usou Linux e não tem interesse em aprender, um mini PC pronto ou um console é escolha melhor. Mas se você gosta de aprender e não se importa de mexer em firmware e configuração, a BC-250 é um ótimo primeiro projeto: a documentação da comunidade é detalhada, e o pessoal nos fóruns está sempre disposto a ajudar.

Veredito

A BC-250 é uma das peças de hardware mais curiosas dos últimos anos: um chip de PS5 que ficou fora do console, foi parar na mineração de criptomoedas e acabou transformado num PC gamer pela comunidade. Pelo preço de uma placa de vídeo usada você leva gráficos na classe da RX 6600–6600 XT, 16 GB de memória rápida e a chance de chegar ao desempenho de uma RX 6700, se o desbloqueio der certo.

Vale a compra se:

  • você gosta de montar, ajustar e fuçar em hardware;
  • você topa usar Linux no dia a dia ou quer aprender;
  • você precisa de um PC gamer barato ou de um servidor caseiro para modelos de IA.

Melhor deixar para lá se:

  • você quer um computador que simplesmente funcione ao tirar da caixa;
  • você curte jogos online com anti-cheat;
  • você precisa de mais de 16 GB de memória.

O mais importante é entender que a BC-250 não é um produto pronto, é um projeto. O que você economiza em dinheiro vai gastar em tempo de montagem e configuração. Mas, para quem curte mexer, essa é justamente a graça.

Links úteis

A maior parte das informações atualizadas sobre a BC-250 está na documentação da comunidade e no Discord, e é por eles que convém começar.

Documentação e comunidade

BIOS, desbloqueio e utilitários

Scripts de configuração automática

Jogos

IA local

  • akandr/bc250: um guia detalhado para rodar LLMs locais na BC-250, com benchmarks antes e depois do desbloqueio.
  • llama.cpp-bc250: um fork do llama.cpp otimizado para a BC-250.

Reviews e benchmarks

Gabinetes para imprimir em 3D

Escrito por

Especialista Sênior em Hardware, provando que você não precisa de equipamentos de ponta para jogar. Especialista em atualizações inteligentes e restauração de PCs com orçamento limitado.

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